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20 de abr de 2007

WAN-DICK: UMA LIÇÃO DE HOMEM PUBLICO

*Roberto Ribeiro de Andrade
Dia 6 de Abril último, Wan-Dyck completou 90 anos. Mais da metade deles vividos em Bocaiúva. Prefeito por 14 anos, ele construiu quase todos os prédios públicos da cidade, principais avenidas, quase todo o calcamento, a Lagoa Sanitária, captação da água do Rio da Onça, e fomentou na cidade o melhor ambiente de toda sua historia. Sem perseguição política, sem o ranço e sem mediocridades. A historia sempre se lembrará dele, como o melhor prefeito de todos os tempos da Terra do Senhor do Bom-Fim.

De onde veio a finesse dos Dumont
Uma interrogação é comum em todo bocaiuvense - De onde vêm esses nomes diferenciados e a finura dos Dumont, nascidos no isolamento do sertão mineiro?
Como informa a família, o avô paterno de Wan-Dyck, Francisco Alves Dumont, viera da França, com três irmãos, para o Arraial do Tijuco (Diamantina). Eram comerciantes de pedras preciosas. Seguiu para Jequitaí onde o diamante era abundante. Em Jequitaí nasceu o seu pai, Francisco de Moura Dumont, que se casou com Carlota Gomes da Fonseca. Mais tarde, seu pai sobe rio acima, até Conceição de Barreiros, (hoje Francisco Dumont) acompanhando as novas lavras. Ali se estabeleceu. Num velho sobrado, que existe no centro de Francisco Dumont, nasceram Wan-Dyck e seus irmãos.
Dona Carlota, sua mãe era uma pessoa de fino trato. Estudou na Escola Normal de Montes Claros. Viagem penosa no lombo de um cavalo era o único meio de se chegar à escola. Uma das poucas professoras formadas de toda região.
Seu pai era autodidata. Sócrates comenta: - “Meu pai contava sempre, que ele teve um mês de escola com uma pessoa chamada Cláudio. Muito boa, mas bebia bastante. Ele desenvolveu seu conhecimento com livros. Deixou uma biblioteca moderna que não vê hoje. Ele tinha estudo antecipado ao conhecimento da época. À medida que nasciam os filhos ia ele dando nome, de conformidade com os heróis encontrados na literatura”.
- “Síria foi escolha de minha mãe, devido a um romance que lera”, interfere Wan-Dyck. “Eles vieram por antecipação dos tempos modernos” – completa Sócrates.

Herança de empreendedores
O avô materno chamava-se Daniel Gomes da Fonseca, um visionário que construiu em Jequitaí uma fábrica de tecidos e outra de lapidação de diamante. Seu tio, Daniel Farmacêutico, foi uma figura lendária devido à sua habilidade política e eficiência no diagnostico e tratamento das doenças. Atendia à população em todas as necessidades, inclusive cirurgias. Daniel era um faz tudo. Político habilidoso liderou a cidade por muito tempo.
Quando entrei só tinha uma
O JORNAL DE BOLSO entrevistou Wan-Dyck, com a assessoria eficiente de sua esposa Celeste, e contribuição de seu irmão Sócrates. A certa altura o entrevistado registra. “Quando entrei para a prefeitura, em, só tinha uma escola (grupo) na cidade, a Coronel Fulgêncio (hoje E.E. Genesco Augusto Caldeira). Deixei seis”.
Na sua administração, o prefeito Wan-Dyck construiu as escolas: E.E. Gastão Valle, E.E. Antônico Soares, E.E.Odilon Loures, E.E.Gilberto Caldeira Brant, E.E.Américo Caldeira Brant, E.E. João Ozório de Queiroz (Terra Branca) e concluiu a EE. Zinha Meira, que estava parada.
Como prefeito, foi o que mais trouxe melhorias para a cidade. Construiu o Fórum, a Cadeia, a Rodoviária, o prédio da Receita Federal, a Praça José Maria Alkmim, as avenidas Presidente Dutra (Herbert de Souza) e Francisco Dumont; a Lagoa Sanitária, parte do esgoto, quase todo calcamento que existe e a Ponte do Macaúbas.
‘ - “Sua maior obra foi à captação da água do Rio da Onça. 40 quilômetros na pedra” acrescenta Celeste, sua esposa.
Wan-Dyck promoveu o melhoramento das relações entre as pessoas da cidade. “Eu pagava os empregados da Prefeitura na fabrica de “ broquetes”, fala.
A relação direta do prefeitos com os funcionários e com a população foi um mudança simples que solucionou questões complexas.

Perdeu eleição por descuido.
Wan-Dyck foi eleito vereador em 1953. Em 1958 foi derrotado nas urnas por Geraldo Cadeira Valle: 32 votos. “Porque não foi buscar os votos de Covancas”, alerta Celeste. Lugarejo próximo de Francisco Dumont, com a totalidade de votos para ele, e que mudaria o resultado da eleição.
Sem qualquer constrangimento da sua parte, e surpresa por parte da situação, Wan-Dyck foi à casa de seu adversário, parabenizando pela vitória.
Esse comportamento diferenciado se repetiria pela sua afora.
Essa inovação de comportamento tem o maior significado, considerando-se que Geraldo Caldeira Valle foi quem mandou quebrar as urnas vindas de Terra Branca, para seu partido conseguir a vitória sobre Flaminio Freire, do mesmo grupo político de Wan-Dyck, em eleição no final da década de 1940.
Certa vez Wan-Dyck, devido a essa sua maneira gentil e respeito à palavra empenhada, provocou a derrota de seu irmão Cícero, candidato a deputado estadual. Sem mágoa ele conta: “Sofri um acidente perto de Brasília de Minas e fui muito bem atendido pelo prefeito daquela cidade. Ele me levou para casa dele. Foi muito atencioso comigo. Quando ele foi candidato pediu o meu voto. Disse a ele que meu voto eu o daria e votei nele”.
Cícero perdeu a eleição por 1 voto.

O fomentador de bem estar
Mesmo se Wan-Dyck não tivesse feito todas as obras, beneficiando Bocaiúva e seu povo, seu nome estaria gravado na historia da cidade, como o político que mais contribuiu com o bem estar do povo de Bocaiúva.
Muitos não sabem, ou se esqueceram das obras que ele fez, mas ninguém se esquece da qualidade de vida que favoreceu, durante os 14 de seu governo.
Sem dúvida alguma, de 1961 a 1975 Bocaiúva viveu o período mais feliz de sua história

*Jornalista e Psicólogo

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