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9 de jun de 2007

Lílian sem Calcinha

Vocês se lembram da madrugada em que a modelo Lílian Ramos subiu, em estado natural, ao camarote do então presidente Itamar Franco, após desfilar na Marquês de Sapucaí? Nem o próprio marquês, que já viu de tudo, acreditaria no que lhe foi dado entrever. E a moça, que deixara a calcinha no camarim, foi fartamente generosa com os fotógrafos. Apanhado de surpresa, Itamar suportou o tranco com a melhor cara do mundo e agiu bem não passando recibo aos moralistas.
Mas o colunista Cláudio Humberto, em visita ao passado, jura que a coisa não ficou por aí, pelo menos em Montes Claros, onde um vereador qualquer tomou as dores de Itamar e protestou, em termos candentes, contra a falta de vergonha que parecia tomar de assalto tempos tão liberais:- Essa mulher desavergonhada não tinha o direito de comparecer sem calcinha diante do presidente da República - disse o valoroso edil, sem imaginar que dava início a um terremoto moral.- E Vossa Excelência não precisava agredir o decoro parlamentar, repetindo nesta Casa a palavra calcinha - replicou o presidente - Calcinha não é coisa que se diz aqui.
A plebe rude, que enchia as galerias por um motivo qualquer, banal que fosse, aplaudiu o presidente, sem vaiar o vereador. Essa reação ambígua despertou outro digno representante do povo, que cochilava no seu canto:- Quem estava sem calcinha, senhor presidente? indagou, ainda se espreguiçando. Isso é indecente, imoral e anti-higiênico. Junto o meu protesto ao de Vossa Excelência e peço que conste da ata a minha manifestação contra a ausência dessa calcinha.Bom, depois de formado o bolo, ninguém segura um vereador ávido de exposição, e veio a réplica imediata do presidente:- Solicito também a Vossa Excelência que se mantenha nos limites do decoro e evite falar de novo em calcinha, pelo menos neste plenário.- Ah, então calcinha é assunto privativo da presidência da Casa? Esse dispositivo do regimento eu ignorava, senhor presidente. Me faça o obséquio de dizer qual o capítulo, artigo ou inciso que dá à presidência o privilégio de se referir a essa peça tradicional do vestuário feminino que o povo decidiu chamar de calcinha. E o povo, senhor presidente, é soberano. Se quer falar, fala.


O presidente da Câmara, já arrancando os raros cabelos, preferiu não responder. Talvez sepultasse o tema e a calcinha, com seu silêncio. Ledo engano, pois um vetusto depositário de votos populares não se rende assim tão facilmente. Sobretudo porque as galerias vibravam com o debate. Só faltaram gritar “mais calcinhas”. Ou melhor, “menos calcinhas”, apelo certamente mais popular.Sob entusiásticos aplausos da platéia, a polêmica teve continuidade pela voz de outro edil, que surpreendeu os presentes e os ausentes com uma proposta nascida de sua sólida formação jurídica na escola da vida:- Encaminho à Mesa projeto de resolução que proíbe formalmente o uso da calcinha nos futuros debates parlamentares. Ficam, assim, preservados os bons costumes, a moral e o decoro parlamentar, senhor presidente.- O ilustre colega quer proibir o uso da calcinha nos debates? E as futuras vereadoras? retrucou um colega dele, feminista de carteirinha.- Corrigindo, senhor presidente, não é proibir o uso da calcinha (me expressei mal, que droga!), mas a menção direta e deslavada à calcinha das mulheres. E lei é lei.O debate, emocionante, teria se estendido por horas e horas, se tivesse acontecido assim.Pena que acabou logo.
Lílian sem Calcinha (outra vez)
Os velhos mestres ensinavam que ler é o caminho mais curto para aprender a escrever.
E se as pessoas aprenderam o nome das letras e sabem decifrar o significado de algumas palavras, mas na verdade não sabem ler? Aí, diria você, é um caso perdido. Talvez seja, talvez não. Afinal, tudo neste mundo se ajeita.Tais considerações inaugurais vêm à propósito de missiva eletrônica enviada por um cidadão chamado Ildeu Maia, que se apresenta ao distinto público como vereador à Câmara Municipal de Montes Claros. O insigne edil, que não se distingue pelo senso de humor, leu neste espaço um texto sobre a calcinha de Lílian Ramos (ou a falta dela). Leu, mas não leu. Se lesse de verdade, perceberia claramente que era tudo uma brincadeira explícita e quase infantil, feita para divertir outros leitores. Não tendo lido, o homem assumiu como verdade aquilo que era deslavada ficção. E, apressado, como costumam ser os representantes do povo, sacou pena e papel e fez candente defesa do Poder Legislativo em Montes Claros.Segue o texto do excelentíssimo senhor vereador, com todos os acentos, pontos e vírgulas no lugar em que os colocou. A concordância ou discordância também é dele. Se algum cultor da língua pátria discordar, que se queixe ao bispo. Ou ao presidente da Câmara. O nosso Professor Helinho, que nos dá lições semanais de respeito às regras da gramática, fica dispensado de ler o que se segue.“Senhor Jornalista. Com referência a notícia veiculada na edição de quarta-feira, dia 23 de maio corrente, no Jornal Hoje em Dia, em que V. Sª faz alusão a acontecimento no plenário desta Casa, citando fato com o ex-Presidente Itamar Franco e a modelo Lílian, no Sambódromo do Rio de Janeiro, em que a modelo se encontrava, na oportunidade, sem calcinha e que Vereadores da Câmara Municipal de Montes Claros, em plenário, tomaram a defesa do então Presidente, quero refutar o seguinte:

1º - Tal fato nunca aconteceu no Legislativo de Montes Claros e não faz parte dos anais de nossa história, já que consultando as atas anteriores, nada encontramos nesse sentido;

2º - Montes Claros tem um Legislativo composto por legisladores capazes e que grande maioria deles tem formação universitária;

3º - Montes Claros é uma cidade pólo, com mais de 350 mil habitantes, com várias universidades e com um legislativo composto por Vereadores capazes e conscientes de seus deveres, e que não cometeriam tal fato pitoresco, conforme faz alusão o noticiário desse jornal.

4º - Tal notícia desmerece a capacidade deste Legislativo e compromete a dignidade dos membros desta Casa;

5º - A fonte que forneceu tal informação, não é fidedigna e procurou desmerecer o legítimo representante desse município, que é o nosso Legislativo, composto por pessoas sérias e comprometidas com os interesses de nossos munícipes.Nestes termos e ciente de que V. Sª foi infeliz nas colocações expostas na coluna desse importante veículo da imprensa mineira, espero ter esclarecido a verdade dos fatos e ter retratada a realidade. ILDEU MAIA Vereador”.

Satisfeito, Senhor Vereador?
Tião Martins - Jornal Hoje Em Dia
smartins61@hotmail.com

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