Search

Compra de votos ou coincidências? - Onda vermelha - Bloco de esquerda e partidos de centro se fortalecem no Congresso - Lula, o preconceito dos poderosos e o complexo de "vira-latas" -Eleição termina em pancadaria em Fruta de Leite - Marina,... você se pintou? Câmara Municipal de Buritizeiro cassa mandato do Padre Salvador - Repercute suspeita de caixa 2 na campanha de Hélio Costa - Lula diz que imprensa brasileira gosta de publicar "notícia ruim" sobre o país - Bicheiro confessa que doou R$ 250 mil para o caixa 2 de Tadeu Leite - Diante das denuncias de corrupção e fantasmas na Prefeitura de Montes Claros, o jornalista Pedro Ricardo pergunta: Cadê o Ministério Púbico? - PT dá o troco no PMDB e abandona Hélio Costa - Caixa 2 pode inviabilizar campanha de Hélio Costa - Dilma dispara e abre 20 pontos - A nova derrota da grande mídia

8 de mar de 2007

Dívida de família vira caso de polícia

Girleno Alencar - Da Sucursal do Jornal Hoje em Dia
LONTRA - A Polícia Federal recebeu ontem uma denúncia inusitada. O motorista Olinton Moraes Pontes acusou seu ex-concunhado João Neto (PSDB), ex-prefeito de Lontra, de compra superfaturada de ônibus. O veículo teria sido adquirido por R$ 40 mil, e a nota fiscal emitida foi de R$ 54,5 mil, uma diferença de 28%. Pontes decidiu formalizar a denúncia na Delegacia da Polícia Federal de Montes Claros para se vingar do seu concunhado. O motivo é uma dívida de R$ 10 mil que João Neto contraiu junto ao motorista, e que não teria sido paga. A Polícia Federal, que apura o caso, acabou descobrindo uma irregularidade no chassi do veículo, que tem identificação diferente da registrada no documento.
O motorista Olinton Moraes explica que ele e o ex-prefeito eram casados com duas irmãs, na cidade de Mirabela, quando João Neto o convidou para trabalhar em Lontra, em 2002, onde atuaria como motorista e mecânico, recebendo R$ 323 oficialmente e mais um salário por fora, além do aluguel da casa. No dia 25 de fevereiro de 2003, foi informado de deveria ir a Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, buscar um ônibus que a prefeitura tinha adquirido, por R$ 40 mil. Ele conta que ficou surpreso ao ver que, na nota fiscal, o valor descrito era de R$ 14,5 mil a mais. Por precaução, retirou cópia da nota fiscal. ‘Lembro até hoje que, na época, estavam colocando fogo em ônibus na Linha Vermelha, no Rio de Janeiro. Passei ali com medo de ser atacado também‘, diz o motorista.Os R$ 10 mil que emprestou ao concunhado são oriundos da venda de um lote na cidade de Mirabela, e de uma reserva que tinha no banco. ‘João Neto pegou o dinheiro comigo para pagar depois. Ele completaria o restante para comprarmos um ônibus que exploraria a linha Tauá-Palmital, em concessão em meu nome e da sua mulher, minha cunhada. Porém, ele nunca comprou o ônibus e nem devolveu o dinheiro. Me deu um cheque da prefeitura no valor, mas não tinha saldo», conta o motorista. Ainda segundo ele, depois que João Neto deixou o cargo, chegou a conversar sobre a dívida, mas acabou o enrolando. «Os R$ 10 mil foram conseguidos com muito trabalho. Pensei em muitas coisas doidas. Mas fiquei calmo e decidi fazer a denúncia. Sei de muitas coisas erradas que ele fez‘, garante o motorista, ao protocolar a denúncia oficialmente.O ex-prefeito João Neto explicou ao HOJE EM DIA que não ocorreu nenhuma irregularidade na compra do ônibus, e que seu ex-concunhado está apenas se vingando pela dívida que ficou sem receber. ‘Estou devendo os R$ 10 mil para ele de serviços que prestou ao município. Não consegui pagar e fui orientado pelos assessores a não deixar restos a pagar. Dei-lhe um cheque da prefeitura no valor do débito, para resgatar depois, do meu próprio bolso. Agora vem este tipo de problema, que é de origem familiar‘, diz o ex-prefeito.

Nenhum comentário: