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12 de jan de 2008

COTEMINAS: SINDICATO QUER GARANTIR DIREITOS DOS TRABALHADORES

A Diretria do Sindicato dos Trabalhadores na Fiação e Tecelagem de Montes Claros tem feito todos os esforços para garantir aos cerca de 800 trabalhadores demitidos pela Coteminas todos os seus direitos. Segundo a presidente, Maria Eliana Ferreira dos Santos, a preocupação principal é manter o maior número de empregos, orientar o trabalhadores dos seus direitos e garantir todos aqueles assegurados em lei e outros acordados com a empresa, inclusive com a mediação do Ministério do Trabalho, além de um acompanhamento social e afetivo às famílias atingidas pelo desemprego.
Nas negociações com a empresa a diretoria do Sindicato apresentou as seguintes medidas a serem adotadas: a) garantir o maior número possível de empregos, com remanejamento para outros setores ou unidades; b) iniciar as demissões com trabalhadores que desejam se desligar da empresa, com um PDV – Programa de Demissão Voluntária, ou por aqueles que têm outra fonte de renda; c) assegurar, por um ano, os benefícios sociais aos filhos dos demitidos que estão matriculados nas escolas da Coteminas; d) fornecer vales-refeição por 6 meses a todos os demitidos; e) garantir aos demitidos benefícios adquiridos no PLR – Participação nos Lucros e Resultados; g) dar prioridade de recontratação aos trabalhadores atingidos pela demissão, ou a membros da sua família, na retomada da produção daqui a 6 meses, segundo informações da empresa.
O Secretário da entidade sindical, Renato Sérgio Pereira, acredita que a modernização tecnológica de todas as indústrias tem penalizado os trabalhadores com o corte de vagas. Ele acha um absurdo ser sacrificado apenas o trabalhador. Afirma que o fechamento da Cotenor, do grupo Coteminas, é uma questão de mercado na competição por seus produtos. Outras unidades de produção de qualquer indústria de Montes Claros poderão ser fechadas na modernização de seus equipamentos. Cabe às lideranças fazer intervenção para diminuir os impactos.
EXPERIÊNCIAS
Os Diretores do Sindicato já viveram situações traumáticas de demissões de trabalhadores. Maria Eliana e Renato Sérgio relatam que, recentemente, na modernização da matriz da Coteminas, a empresa tinha a intenção de demitir 400 trabalhadores. A intervenção imediata do Sindicato reduziu este número para cerca de 290 demissões e a garantia do retorno dos dispensados após a normalização da produção. A grande maioria dos demitidos já foi recontratada.
Outra experiência vivida pessoalmente pela presidente Maria Eliana, há alguns anos, foi o caso da Têxtil Paculdino. Ela conta que a empresa quebrou e alegava não ter dinheiro para pagar as indenizações aos 190 trabalhadores demitidos. Uma comissão formada por trabalhadores da Paculdino, diretoria do Sindicato, Justiça do Trabalho e Ministério Público do Trabalho elaborou várias propostas como alternativas ao problema vivido pelos trabalhadores. A proposta de parcelamento em até 5 anos para pagamento dos direitos trabalhistas foi taxativamente rejeitada pelo trabalhadores. Um grupo dos trabalhadores atingidos procurou um empresário do nordeste, que fez a compra do maquinário do setor de fiação da Têxtil Paculdino, e assumiu a dívida com os trabalhadores. A Têxtil Nova Aliança contratou 170 dos trabalhadores dispensados. Maria Eliana relata que a negociação durou cerca de 4 meses, com a Diretoria do Sindicato permanecendo diuturnamente ao lado dos trabalhadores até a certeza da garantia dos seus direitos.
CLIMA DE ANGÚSTIA
Valdeir Ferreira Souto, tesoureiro do Sindicato, que permanece trabalhando no interior da empresa conta que “vivemos momentos de angústia e apreensão, pois estamos ansiosos. A cada instante perguntamos uns aos outros quem será o próximo a ser dispensado”. Ele relata que os trabalhadores já ficam imaginando como poderá sustentar a família nos próximos meses e em qual atividade de trabalho poderá atuar. “Mas, senti também conforto ao ver alguns companheiros sendo remanejados para a unidade Sebratex”, afirma, aliviado.
BUSCA DE APOIOS
A Diretoria do Sindicato vem tendo apoio de vários setores sociais e públicos na luta pela garantia do emprego e dos direitos dos trabalhadores. Várias reuniões já aconteceram com os sindicatos ligados à CUT regional norte, com a direção da Câmara Municipal, com o sub-Delegado do Ministério do Trabalho e com o Prefeito Municipal Athos Avelino. O Prefeito intercedeu junto ao vice-presidente José Alencar, maior acionário do grupo Coteminas, para atender as propostas dos trabalhadores, principalmente evitando demissões ou se comprometendo na recontratação. Após esta reunião, a diretoria do Sindicato solicitou uma Audiência Pública à Assembléia Legislativa para debater a questão.
Apoios de várias entidades de Minas e do Brasil vem chegando como da Federação dos Tecelões de Minas Gerais, da CNTI – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, de Deputados Estaduais e de lideranças diversas.
AUDIÊNCIA PÚBLICA
A pedido do deputado estadual Paulo Guedes (PT-MG) a Comissão de Trabalho e Renda da Assembléia Legislativa de Minas Gerais realizará Audiência Pública, em Montes Claros, no dia 22 de fevereiro, para debater as questões relacionadas às demissões na Coteminas.
JUNTA GOVERNATIVA
Desde 17 de setembro de 2007, a direção do Sindicato dos Trabalhadores na Fiação e Tecelagem de Montes Claros, que tem cerca de 4 mil trabalhadores em sua base, é composta por uma Junta Governativa, eleita por uma Assembléia Geral e referendada pela Justiça do Trabalho. Ela é composta por três membros com as funções de Presidente, Secretário e Tesoureiro.
A presidência é ocupada por Maria Eliana Ferreira dos Santos, que trabalha há 12 anos na Têxtil Paculdino, na função de operadora de máquina de fiação, sendo associada do Sindicato desde 2001. Participante ativa no trabalho de organização da base, já participou da negociação de diversas Convenções Coletivas na Paculdino, em ações impetradas pelo Sindicato e em centenas de acordos de direitos trabalhistas. Desde 2006, vem atuando como dirigente sindical.
Renato Sérgio Pereira é o secretário da entidade. Trabalha há 17 anos na Santanense como mecânico industrial, sendo associado sindical desde 1995. Tem mais de 10 anos de experiência como dirigente sindical. Participou de diversas negociações coletivas na Coteminas, Têxtil Paculdino e Santanense.
Valdeir Ferreira Souto é o tesoureiro do Sindicato. Trabalha há 29 anos na Coteminas, como operador de máquina de fiação. É associado e dirigente sindical há cerca de 10 anos, mas permanece no trabalho no interior da fábrica.
A Diretoria acredita que, neste momento, os maiores desafios do Sindicato são:
- manter os empregos de todas as indústrias de fiação e tecelagem de Montes Claros;
- orientar os trabalhadores da base para garantia de todos os seus direitos;
- continuar negociando com a Coteminas para minimizar os impactos da decisão de demissão dos trabalhadores, procurando garantir outros direitos além dos já estabelecidos em lei e em acordos coletivos.
- assegurar benefícios adquiridos n o PLR – Participação nos Lucros e Resultados;
- lutar por melhores condições de trabalho e de vida



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