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24 de ago de 2007

PT 28 ANOS

*Albano Silveira Machado Um dos principais atores sociais na história da construção democrática do Brasil está fazendo 28 anos de fundação, neste domingo, 10 de fevereiro: é o Partido dos Trabalhadores. O PT foi forjado nas lutas democráticas contra a ditadura militar, no novo movimento sindical dos anos 70, na fermentação das Comunidades Eclesiais de Base e no acúmulo de experiências dos movimentos populares e da esquerda brasileira, principalmente na segunda metade do século XX.
Nasceu diferente, de baixo pra cima, na organização horizontal de seus Núcleos de Base, na discussão e definição popular de seus horizontes, na defesa da democracia, na opção preferencial pelos pobres, nos propósitos de organização e representação dos anseios dos trabalhadores, na luta pelo socialismo, expostos no Manifesto de fundação e na Carta de Princípios.
Suas lideranças surgiram dos sindicatos, dos movimentos comunitários, das bases da Igreja progressista, dos intelectuais engajados em causas de libertação dos povos, dos estudantes, daqueles que não tinham vez, nem voz. Incentivou os setores sociais a se organizarem e orientou seus militantes a contribuírem com a construção da CUT – Central Única dos Trabalhadores, na reorganização da UNE – União Nacional dos Estudantes, no fortalecimento de entidades como OAB, CNBB, no apoio ao MST, etc.
Durante quase três décadas, participou, como protagonista das maiores movimentações populares como as Diretas Já, nas Eleições e Congresso Constituintes, no Impeachment de Collor, nas Caravanas da Cidadania, na resistência às privatizações, no Grito da Terra, no Grito dos Excluídos, nas manifestações pela Reforma Agrária, na defesa dos direitos humanos. Contribuiu decisivamente na inclusão dos direitos civis, políticos e sociais da Constituição Federal, com apenas 17 deputados federais, entre eles, Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao largo dos movimentos sociais, vem disputando espaços institucionais, elegendo cada vez mais parlamentares (vereadores, deputados e senadores) que fiscalizam o Executivo, exige transparência, prestação de contas e propõe leis mais justas; vem conquistando Prefeituras e Governos estaduais, implantando um modo petista de governar, com participação popular, com a adoção do Orçamento Participativo, do controle social, de projetos inovadores e de implantação de políticas públicas dando prioridade aos mais pobres.
A eleição do Presidente Lula, em 2002, é o momento mais emocionante desta trajetória. Embora não seja o governo dos sonhos da maioria dos petistas e dos milhões de brasileiros que o apoiaram, é aquele que na história do país mais conseguiu diminuir a grande desigualdade social; implantou o maior programa social do mundo no combate à pobreza e à fome; torna-se responsável na integração e defesa de maior autonomia da América do Sul: aumentou as oportunidades de emprego e renda; promove a inclusão social; valoriza negros, mulheres, GLBT, índios, juventude, moradores de rua, agricultores familiares, e muitos outros segmentos sociais historicamente apartados da sociedade brasileira.
O PT vive um momento de superação de problemas. A crise ética, vivida em 2005, devido ao envolvimento de várias lideranças em esquemas de corrupção eleitoral e de sustentação partidária decepcionou muitos militantes e simpatizantes. Levou uma pequena parcela a formar o PSOL e deixou muita gente com barba de molho. O debate interno e a participação massiva da militância nas eleições internas do PED – Processo de Eleições Diretas, em 2005, revigorou o partido e o levou a uma grande vitória nas eleições de 2006, fazendo renascer a esperança tantas vezes plantadas nos corações e mentes de milhões de brasileiros. Hoje, o PT tem mais de um milhão de filiados e é organizado em todos os municípios brasileiros.
Para se fortalecer ainda mais, o PT vem enfrentando alguns desafios: a aprovação de um Código de Ética e sua aplicação efetiva; a implantação de uma democracia direta interna, com a organização de Setoriais, Núcleos de Base e adoção do Orçamento Participativo; a defesa de um socialismo democrático; a conquista da juventude para possibilitar a oxigenação da estrutura partidária e a filiação massiva de lideranças populares simpatizantes.
Um Partido deve ter vida perene, de 100, 200 anos, para implantar valores, conquistar os povos e mudar a cultura de um território. Mas, para alcançar estes objetivos o PT deve propor intervenções de seus militantes e simpatizantes de forma mais permanente na sociedade, em todos os setores, em todos os momentos, não apenas em períodos eleitorais. Mesclar uma atuação institucional para implantar políticas públicas de interesse da maioria da população e aproximação dos movimentos sociais, este é o caminho que o PT deve trilhar.

* Albano Silveira Machado é psicólogo social, jornalista e especialista em Gestão de Políticas Públicas.

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