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9 de out de 2006

VEJA PORQUE LULA GANHOU O DEBATE

Lula fala de política energética; Alckmin culpa chuva pelo apagão
Veja o resumo do debate

PRIMEIRO BLOCO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou o primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais, esta noite na TV Bandeirantes, colocando o adversário Geraldo Alckmin contra a parede. Alckmin não soube explicar porque barrou 69 CPIs na Assembléia Legislativa paulista, inclusive as que pretendiam investigar irregularidades na Secretaria Estadual da Habitação - ocupada, entre 2003 e 2004, por Barjas Negri, ex-ministro da Saúde de FHC, suspeito de envolvimento com a empresa de Abel Pereira, envolvido na máfia das sanguessugas. "Sou de formação pobre, mas da formação de quem não deve não teme", disse o presidente, lembrando ainda que Negri tem condenações provisórias do Tribunal de Contas.

Durante todo o primeiro módulo do debate, Alckmin não respondeu a nenhuma pergunta, limitando-se sempre a inquirir Lula de forma agressiva e desrespeitosa. Até mesmo quando o mediador Ricardo Boechat lhe perguntou como pretendia reduzir os gastos públicos, o tucano preferiu agredir Lula.

Já o presidente mostrou que foi seu governo que enviou projeto de reforma tributária ao Congresso, ainda não aprovado porque o governo do Estado de São Paulo quer manter a guerra fiscal. Para o presidente, o PSDB já governou muitos Estados e "ficou claro que a única coisa que sabem fazer é cortar gastos naquilo que não poderiam cortar".

Lula também apresentou um balanço do avanço do país durante os primeiros três anos e meio de seu governo, como as exportações chegando a US$ 135 bilhões, os US$ 76 bilhões de reservas cambiais e o superávit de R$ 46 bilhões. Também lembrou que criou mais de sete milhões de empregos em três anos e meio, contra 1 milhão em oito anos de FHC.

Na hora das perguntas entre candidatos, Alckmin repetiu a pergunta que vem fazendo desde meados de setembro, sobre o dinheiro para a compra do dossiê da máfia das sanguessugas. "Faz 30 dias que ele quer saber de onde veio o dinheiro", respondeu Lula. "O único ganhador nesse trambique todo foi a candidatura do meu adversário. A Polícia Federal é muito competente, ela não faz pirotecnia, ela investiga".

O presidente afirmou ainda que Alckmin possivelmente teria saudade do tempo da ditadura, quando as investigações eram mais rápidas, porque se utilizavam de métodos como a tortura. "Uma investigação séria é demorada. Afastamos todas as pessoas envolvidas. Cabe à PF fazer as investigações", disse Lula.
SEGUNDO BLOCO

No segundo bloco do debate na Rede Bandeirantes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve a postura de falar de programas de governo, ao contrário de seu adversário, que deixou de responder a diversos questionamentos. Lula voltou a lembrar que seu governo não deixou nenhuma denúncia sem apuração, ao contrário do PSDB, que não deixou que nenhuma das 69 CPIs requeridas na Assembléia Legislativa de São Paulo fosse instalada.

“Nunca deixei nada sem apuração. Doa a quem doer, mas por que nenhuma das CPIs foram instaladas, como a da Febem e da Rodoanel?”, perguntou Lula a seu adversário, sem receber resposta concreta à indagação. Segundo Lula, pode parecer estranho ter um ministro envolvido em denúncias, mas mais estranho é jogar a sujeira debaixo do tapete. “O Valerioduto começou em Minas Gerais”, afirmou Lula, referindo-se a denúncias de corrupção no estado, governado há oito anos pelo PSDB.

“O princípio da ética é, na hora que sabe (de uma denúncia), cortar na carne, o que não aconteceu no governo do PSDB”, acrescentou Lula, referindo-se a casos de denúncias como a compra de votos para a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “A diferença é que neste governo se combate a corrupção”, comparou Lula.

O presidente preferiu falar dos investimentos do governo na área social do que entrar em polêmica com seu adversário. Lula mostrou no debate que o governo federal aplicou R$ 64 milhões no Programa Dose Certa – que distribui medicamentos gratuitos – que Alckmin vende como sendo um programa exclusivamente do governo paulista.

O presidente lembrou também que o Bolsa Família atende um milhão de famílias paulistas e triplicou os investimentos sociais, enquanto o governo tucano preferiu vender o patrimônio público e aumentar os impostos.
TERCEIRO BLOCO

Com as mesmas regras do segundo bloco, Lula e Alckmin alternaram perguntas entre si. Mais uma vez, o presidente não deixou nenhuma questão sem resposta e mostrou avanços do governo na infra-estrutura e na política exterior. Por outro lado, Alckmin não conseguiu fazer nenhuma proposta concreta para o país, e culpou a falta de chuva pelos problemas de apagão nos oito anos de governo FHC.

Na primeira pergunta do terceiro bloco, Lula discutiu o problema da segurança e desmontou a tese de seu adversário de que a sua gestão na área de segurança foi um sucesso. “São Paulo cortou 15% do orçamento e reduziu em 12% o contingente policial da cidade. O resultado foi esse: o PCC tomou conta da cidade”, afirmou.


Quanto à política exterior, Lula afirmou que o Brasil conquistou autoridade moral para andar de cabeça erguida, sem depender exclusivamente dos Estados Unidos e da União Européia, como acontecia antes. “Hoje temos superávit comercial com a África, com a China, com a América Latina e o Oriente Médio, regiões que foram ignoradas pelos outros governos”. Sobre o problema do gás na Bolívia, Lula condenou a posição defendida por Alckmin de retaliar o país vizinho, e afirmou que com diálogo garantirá os interesses brasileiros. “Alckmin, Bush pensava que nem você e fez a guerra do Iraque”.

A questão energética e a da malha rodoviária foram os últimos temas debatidos no terceiro bloco. Enquanto que para Alckmin a culpa do apagão no governo FHC foi à falta de chuvas, Lula mostrou realizações no setor. “Foram gerados 13 mil megawatts, estamos investindo no biodiesel e no H-Bio e em novas hidrelétricas, como a do Belo Monte (no Pará)”, explicou. Com relação às estradas, o presidente lembrou que, além de recuperar 26 mil quilômetros, o governo reformou a BR-116 e a BR-381 e está ampliando e modernizando portos e aeroportos.
QUARTO BLOCO
Enquanto o presidente Lula ocupou seu tempo no quarto bloco do debate para falar das propostas para a redução dos juros e dos gastos públicos e para enfrentar o problema da segurança pública, Geraldo Alckmin preferiu falar do avião presidencial. Lula respondeu a todas as perguntas dos jornalistas. Alckmin atacou o presidente.

A primeira pergunta foi do jornalista Franklin Martins, que perguntou ao presidente se ele não deveria saber mais sobre o que acontece em seu governo. Lula disse que sempre que soube, puniu. E isso não acontecia em governos anteriores. “Antes, durante muitos anos, ninguém sabia. A corrupção se jogava para debaixo do tapete. Eu não. A lógica da ética não é saber antes, é punir quando acontece, é investigar, é punir. E isso eu tenho muito orgulho de não ter vacilado um minuto, de a Polícia Federal ter uma atuação extraordinária. Não nomeiei um engavetador como procurador da república. Eu sou responsável por tudo, mas permita que as pessoas entendam que um pai de família não sabe tudo”, disse o presidente.

O presidente também recordou que o candidato Alckmin, preocupado em discutir a compra de um avião pelo governo federal, passou 12 anos no governo de São Paulo sem saber da atuação do PCC. “É muito engraçado o comportamento do governador. Quando fiz a pergunta sobre segurança, se sabia ou não da organização do PCC, ele disse que não. Depois de 12 anos não sabia que tinha uma quadrilha (...). Saio triste, quando vejo o governador se amesquinhar diante da compra de um avião para um país do tamanho do Brasil”.

Lula afirmou ainda que, quando se trata de segurança pública cada um fala o que quer, com mais ou menos bravata. “A verdade é que o problema da segurança pública no Brasil, que envolve inclusive jovens que cometem delitos, não é um problema do presidente e do prefeito, mas também da família, da sociedade. Precisamos acabar com a hipocrisia e discutirmos todos este problema, que passa pela educação e pela oportunidade de emprego. Um problema desta magnitude não pode jogar um nas costas do outro e o povo continuar sofrendo”, disse.

Também ao responder à questão apresentada pelo jornalista José Paulo de Andrade sobre ética, o presidente Lula detalhou melhor sua proposta para fazer avançar a sociedade. “Os problemas que temos no Brasil decorrem de anos e décadas de esquecimento. É a desagregação da estrutura da sociedade. A imprensa, os políticos e a sociedade têm parte nesta solução”.

Por fim, Lula recordou que 60% dos prefeitos envolvidos na máfia das sanguessugas eram do PFL e do PSDB e que, de todos os crimes de quadrilhas investigados pela PF, 61% vieram de antes de 2003.
QUINTO BLOCO

No último bloco do debate promovido pela TV Band, o presidente Lula preferiu, ao contrário de seu adversário, discutir a questão de educação no país. “Queremos criar em cada cidade pólo uma universidade e uma escola técnica”, anunciou Lula, ressaltando que a educação é a esperança de um futuro melhor.

“Nós sabemos da necessidade de gerar empregos. E para termos emprego, é necessário ter educação de qualidade”, afirmou Lula, afirmando que a reeleição será a concretização do que já foi feito nos últimos três anos. “O alicerce está pronto, as paredes estão prontas e falta apenas o telhado”, explicou Lula.

Ao responder a seu adversário, que estava extremamente nervoso, Lula voltou a afirmar que o PSDB, quando presidiu o país, durante oito anos, privatizou quase todas as empresas estatais brasileiras e levantou a hipótese de que outras poderiam ter o mesmo destino, caso seu adversário chegasse ao poder. “O que foi feito foi gastar em demasia, vender as empresas estatais. O que tem mais para vender, agora? Só se for a Amazônia”, disse Lula.

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