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30 de abr de 2008

Cruzadinha dos Estudantes

*Lucreciano Rocha

Montes Claros viveu no último dia 24 de abril uma situação pouco usual na cidade. Uma manifestação de estudantes que acabou em confronto, tendo a policia que usar a força para coibir abusos, conforme nota da corporação. Lideres do movimento têm outra versão, acusando a policia de truculência desnecessária. Porém, o que chamou mais atenção foi o grande numero de crianças de 12 e 13 anos no evento. O que, além de proibido por lei é questionável sobre vários pontos de vista. Um estudante de 13 anos garantiu que foi orientado a "partir pra cima". Quem o impeliu para o confronto garantiu que ninguém iria reprimir sua atitude, devido ao seu tamanho e sua idade.
Isso caracteriza uso de crianças como escudo humano. Independentemente do mérito da reivindicação, esse tipo de prática é abominável. A tática traz lembranças medievais de um episódio conhecido como cruzada dos infantes. Devido ao fracasso de cruzadas anteriores, formada por adultos cheios de pecados, acreditou-se que o sucesso viria com uma cruzada infantil, formada por meninas e meninos de 7 a 14 anos. E essa aventura começou com aproximadamente 50 mil, que rumaram para a terra santa com o intuito de libertar Jerusalém e converter os pagãos.
Guardadas as devidas proporções, a manifestação dos estudantes de 24 de abril se orientou no mesmo método: invadir prédio público levando à frente crianças como escudo humano. Ou será que os motoristas dos ônibus e quem os contratou também são menores? Alguns historiadores da cruzada dos infantes de 1212 também tentaram fazer acreditar que o movimento era liderado apenas pelo pastor Nicolau, um alemãozinho de 10 anos, e por um garoto francês de 12 anos, chamado Estevão. Onde estavam os marmanjos? Os educadores de jovens e adolescentes têm encontrado dificuldade de lidar com eles. Vem à tona a questão da noção de limites. Em casa eles enfrentam o pai, na escola agridem o professor. Assim, na manifestação "democrática e ordeira" jogar pedra em policial vira coisa normal.
Contam os historiadores que o fanatismo tomou tamanha dimensão que as crianças partiram felizes e cantando, acreditando conseguir transpor os Alpes, cruzar o mar que se abriria, abrir o santo sepulcro, concluindo assim a sua missão. Na cruzadinha dos estudantes também havia uma música de animação do grupo: O KREU. Ao primeiro sinal de desânimo KREU, KREU, KREU. A cruzada dos infantes da idade media teve um fim trágico. Um grupo de sobreviventes caiu em uma grande armadilha e foram colocados em 7 navios de volta para casa. Porém, dois deles naufragaram e os outros atingiram o Egito e a Tunísia, onde as crianças foram vendidas para a prostituição e para o trabalho escravo.
A cruzadinha dos estudantes de Montes Claros sofreu apenas pequenas queimaduras e escoriações leves, comuns em toda manifestação publica. A analogia é apenas para pontuar a tática utilizada pelos organizadores. Todavia, professores e pais devem ficar atentos. Como se não bastasse o risco das crianças caírem nas mãos de traficantes ou de aliciadores de menores para a prostituição, há ainda o político irresponsável querendo recrutar nossos filhos para servirem a interesses escusos, empunhando bandeiras de causas alheias ao seu conhecimento.

* Professor de Filosofia

Um comentário:

Anônimo disse...

legal e muito interessante