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14 de out de 2007

Herói torturador

por Ana Paula Sousa
Tropa de Elite vira fenômeno cultural e faz pensar sobre as razões que levam o público a aplaudir o policial violento em nossa sociedade
Kid Tattoo, tatuador da comunidade Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, fez uma ponta em Tropa de Elite. Ficou tão famoso que foi convidado a abrir outra loja num condomínio de classe média. “O ibope do DVD foi muito alto. Não tem mais quem não me conheça. Fui agora mesmo pegar a chave da loja nova”, diz, cheio de orgulho, o jovem que, no filme, tatua a “faca na caveira” num policial do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope).
O apresentador Luciano Huck, depois de ter o Rolex roubado, clamou: “Chamem o capitão Nascimento”. Referia-se ao policial encarnado pelo ator Wagner Moura, que tortura e atira sem dó. No camelódromo da rua Uruguaiana, no centro do Rio, o Bope virou hit. Além da famosa pirataria do filme, há bonequinho com cara de capitão Nascimento.
No último fim de semana, num baile à fantasia em Jacarepaguá, fardas a imitar os homens de preto brasileiros fizeram sucesso. Tropa de Elite estreou nos cinemas de São Paulo e do Rio de Janeiro no útimo dia 5. Mas já foi visto, replicado, adorado e atacado por gente de todo o Brasil.
Estima-se que 1 milhão de DVDs piratas tenham sido vendidos. As cópias das cópias são incalculáveis. No Rio, é difícil cruzar com alguém que não tenha visto o filme. Seja no bar Belmonte, no Flamengo, seja em Cidade de Deus, onde a cópia foi exibida na feira, na barbearia, nas casas todas, o filme acirra os ânimos.
Em São Paulo, no Aeroporto de Congonhas, um taxista viu, nas mãos da repórter, a capa do pirateado Tropa de Elite 3, um documentário superviolento e primário, feito pela própria polícia. Não resistiu. “Você me empresta pra eu gravar? Prometo devolver. Te deixo meu telefone, meu RG, tudo.”
No Nordeste, também há Tropa de Elite para todo lado. No alto sertão paraibano, na cidade de Sousa, há três semanas, um morador se espantou: “Nossa, você é jornalista e nãoviu o filme? Tem de ver”.
Que Brasil é este que aderiu de maneira radical ao longa-metragem dirigido por José Padilha? Que filme é este que perdeu o controle da própria feitura, sendo pirateado ainda incompleto? Que sociedade é esta que viu no capitão Nascimento um herói salvador?
Leia toda a reportagem em CartaCapital

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