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18 de fev. de 2008

JACINTO DE NIQUIM

*João Avelino Neto

Passava os dias de carnaval no Quilombo. No domingo, Gôda diz que Jacinto estava internado no São Lucas. Na segunda, de manhã, antes de ir para a lida roceira, ouço no rádio da cozinha de Dona Therezinha, minha mãe, enquanto tomava café feito por ela no fogão de lenha, a notícia da morte de Jacinto Leite Nonato.
Vi Jacinto, de corpo presente, no final do ano passado, de passagem, defronte à Caixa Econômica. Estava esbelto, saudável. Foi só um olá, como está, precisamos encontrar, falar, relembrar e sonhar. Subi a Dr. Santos, com os olhos meio turvos, porque Jacinto lembra Joelisa e Pimenta.
Tudo leva a crer que Jacinto se achava só no Pradinho, depois que se foram Seu Pimenta, Dona Joelisa, Daniel Pereira, Antônio Avelino, Izidro, Dilo Brandão, Nenca, Zé Pranchinha, Zé Madureira, João congo e tantos outros que margearam os rios do Valo, Pacuí, Quilombo, Santa Maria, São Lamberto, Traíras.
Porém, na mesma segunda, fui a cavalo na casa de Geraldim de João Élcio Rocha, nosso vizinho de cerca, assim como Arnaldo Gonçalves de Oliveira. Depois de passar por três a quatro colchetes de arame, chego na porteira da nova morada de Geraldim, encosto o green para destremelar a cancela, passo a mão na tramela e sou recepcionado por um pequeno enxame de maribondo. Instintivamente recuei o cavalo, que não levou nenhuma ferroada e tudo foi resolvido com a interferência de Geraldim que levou algumas picadas.
Jacinto é um dos últimos dos moicanos das Gerais de Montes Claros. Cada um deles tem uma historia e precisa ser contada. No começo de 1968, faz 40 anos, antes do AI-5, peguei uma empreitada de Arnaldo para destocar uma manga e tive a ajuda solidária de Jacinto, Sinfrônio, Ataíde, emprestando juntas de boi e pegando no arado, o último.
São marcas indeléveis de um tempo que se foi e de uma saudade danada que invade a nossa alma.
*João Avelino Neto é advogado trabalhista e militante petista

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