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1 de abr de 2009

QUARTELADA DE 64: 45 ANOS DEPOIS


*João Avelino Neto
Primeiro de abril de 1964. Seis horas da manhã.
Ligo o rádio na Nacional do Rio, como de costume, para ouvir Paulo Roberto na crônica radiofônica diária: VAMOS VIVER A VIDA! Naquele distante dia, o seu tema me assustou.
Não falava de causos e costumes, muitos deles lembrando de Montes Claros, de Mário Veloso e sua Farmácia, onde o médico José Marques, nome de batismo do radialista e jornalista Paulo Roberto, residiu e clinicou.
O seu brado soava comovente e de exaltação. Conclamava o povo brasileiro à resistência contra o golpe militar que depusera João Goulart da presidência da república, jogando o País nas trevas da ditadura. Confesso que me assustei com a notícia e o tom das palavras de Paulo Roberto, cuja voz não teve eco, porque o povo não estava preparado para reagir, como alardeava os mentores do fatídico golpe contra a democracia e a liberdade.
O governo Jango buscava implementar reformas de base, de significado transformador e de soberania da estrutura econômica, política e social do País, enquanto que os reacionários, capitaneados pela UDN e a linha dura do Exército, agiam ao contrário, desde a década de 50, no sentido de manter e aprofundar o modelo patrimonialista de poder que chegou em 1500 junto com os invasores portugueses.
O primeiro de abril de 64, o brado de Paulo Roberto, antes da invasão e tomada da Rádio Nacional pelos militares, marcou o meu caminhar nestes 45 anos após o golpe. Paulo Roberto foi preso e humilhado. Um crime irreparável, como milhares da ditadura, praticado contra um cidadão, um servidor público da radiofonia, criador e apresentador de programas culturais e de diversão, de alcance e repercussão nacional, tais como a BANDA DE CHOPOTÓ, envolvendo e promovendo bandas de música do Brasil inteiro; NADA ALÉM DE UM MINUTO, humorístico com o elenco artístico da Rádio Nacional, Brandão Filho, Apolo Correa, dentre tantos outros, cuja piada não podia passar de um minuto; OBRIGADO DOUTOR, que abordava histórias verdadeiras de médicos pelos rincões desse Brasil, salvando vidas e combatendo doenças; e a crônica diária VAMOS VIVER A VIDA, dedicada ao cotidiano e das memórias de suas andanças pelo interior no exercício médico.
A ditadura durou 20 anos. Tempo suficiente para sepultar ideais e pessoas. Como Paulo Roberto, cujo coração sucumbiu, amargurado pelo golpe e pela falsidade de companheiros da própria Rádio Nacional, que foi sucateada, abrindo caminho para a Globo se tornar um império.
Vamos viver a vida! Golpe nunca mais!
*João Avelino Neto é Advogado Trabalhista e militante do PT.

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